Comparativo - Motociclismo - Yamaha SR400

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Comparativo - Motociclismo - Yamaha SR400

Mensagem por Cabecinhas em Sab Jun 04, 2016 5:12 pm

Um marca que se queira distinguir no mercado só o consegue se for comparada às que já se encontram fixas e que têm o seu espaço garantido. Assim sendo a Mash Five Hundred mediu forças com a tão aguardada Yamaha SR400 e não é que o resultado foi bastante surpreendente.

Revista Motociclismo escreveu:
Mash Five Hundred / Yamaha SR 400

Duas motos novas “à antiga”, uma consagrada e uma recém-chegada, que, pela sua simplicidade, acabam por nos remeter para aquilo que, verdadeiramente, nos fez gostar de motos.

Num Mundo dominado por superdesportivas com mais de 200 cv e maxitrails carregadas de eletrónica, há ainda – e são cada vez mais – os que preferem o regresso aos prazeres mais simples do motociclismo, a um tipo de motos onde encontramos tudo o que é o essencial - afinal de contas, aquilo que nos fez apaixonar pelas motos em primeiro lugar. Assim, quem quiser recordar - ou experimentar - o que era o motociclismo há 30 ou 40 anos atrás, tem uma boa oportunidade de o fazer nas duas motos que aqui vos apresentamos, propostas mecanicamente simples e acessíveis sob todos os parâmetros. Falamos da Yamaha SR 400, relançada há um ano na Europa, e da nova Mash Five Hundred que, ao contrário do que a designação enganosa dá a entender, está equipada com um motor de 397 cc.



A Mash é uma marca criada em França e as motos são fabricadas na China pela Shineray, conciliando assim os baixos preços de produção com uma imagem retro muito atrativa e cada vez mais na moda, características que já eram vincadas nas suas 125 cc e na “dois e meio” que testámos no mês passado para a MOTOCICLISMO. A Yamaha SR 400 quase dispensa apresentações: lançada há 37 anos, em conjunto com a versão de 500 cc, tem sido ao longo de décadas uma base de transformação muito apreciada (como podem ver nesta mesma edição com as primeiras imagens finais da “nossa” Zen). Com a popularidade crescente da tendência neoclássica e da estética Café Racer, a Yamaha decidiu reintroduzir o modelo nos mercados europeus, a que chegou na primavera de 2014. Ainda antes de examinar as motos, vamos perceber os valores envolvidos: a Yamaha SR 400 tem um P.V.P. anunciado de 5.995 €, ao que terá de juntar 123 € de I.S.V. e outros 265 € de despesas de legalização.



Substancialmente mais barata, a Mash Five Hundred é proposta por 3.990 € (já com I.S.V.), ao que o importador da marca adiciona 210 € de despesas de registo e matrícula. No que respeita à aquisição, e como fica bem patente, a Yamaha está em clara desvantagem. Mas, dependendo de quantos quilómetros farão com elas, em termos de economia a SR 400 ganha pontos em outras áreas: as revisões da Yamaha são feitas a cada 10.000 km, enquanto a Mash recomenda que se leve a Five Hundred à oficina a cada 3.000 km, o que já dói um bocadinho… A Mash também se mostrou um pouco mais gulosa que a Yamaha, e no nosso percurso de consumos acusou 4,3 litros aos 100 km, enquanto a SR consumiu 3,9 litros na mesma distância (tínhamos feito 3,8 lt/100 km no primeiro teste com esta moto). Chega então a altura de um olhar mais atento aos pormenores, e aqui o pedigree da Yamaha fala mais alto. A qualidade de construção, acabamentos e pintura estão ao bom nível a que a marca nos habituou. Nada a apontar. Por seu lado, a Mash, embora (quanto a mim) inegavelmente mais atrativa, tem alguns pormenores a que não foi dada a devida atenção, típicos de quando surge uma primeira geração de novos produtos “Made in China”, mas que geralmente vão evoluindo nos lotes seguintes. É o caso do guarda-lamas dianteiro cromado, com um acabamento irregular, do descanso lateral que, quando está em baixo, corta a corrente mesmo em ponto morto, o que torna impossível deixar a moto a aquecer, por exemplo - este detalhe sem lógica poderia ser solucionado com um descanso central, que, ao contrário do que sucede na SR, não existe na Mash. Temos ainda outras arestas pouco limadas, como a luz dos mostradores do painel, muito fraca e que só ilumina a parte superior dos mostradores, ou o conta-quilómetros mal calibrado, marcando cerca de 6 km a menos em cada 100 km reais, conforme verificámos num percurso fixo de consumos. Muitos destes pequenos defeitos são, no entanto, perdoados quando olhamos para o preço final que, convém recordar, é dois terços do valor pedido pela SR. Não se pode querer tudo…



A Mash é mais encorpada e, esteticamente, foi a preferida dos que se cruzaram com estas motos durante o nosso teste. A imagem remete-nos imediatamente para as motos inglesas dos anos sessenta e não será preciso mexer em muita coisa para que fique ao nosso gosto. Já a Yamaha apresenta um ar mais utilitário do que clássico, e quem quiser obter um “look da moda” terá de trabalhar mais na alteração e reconstrução de alguns componentes – ou então manter intocada a simplicidade da SR, com os diversos elementos cromados a enquadrarem-se muito bem no conjunto, em particular nesta bela versão em cinzento mate. De certo modo, são motos de compromissos. Motores refrigerados a ar, mas ambos com injeção eletrónica. As duas têm travão de disco à frente mas de tambor na traseira. A Mash começa a ganhar pontos quando acordamos o motor. Enquanto na Yamaha o único método para colocar o monocilíndrico em funcionamento é através da boa velha “kickada”, na moto franco-chinesa dispomos de arranque elétrico, mas também de um kick-starter auxiliar – que nunca foi necessário, pois pegou sempre sem problemas. Sinceramente, Yamaha, como diz o outro, não havia necessidade… Podia manter-se muito bem o pedal de kick-starter na SR, ao mesmo tempo que se incluía um arranque elétrico. Existe uma pequena manete de descompressor que facilita a tarefa, mas não há nada como termos o botãozinho mágico à disposição do polegar direito.



Rolar com estas motos é um daqueles prazeres simples que nos trazem um sorriso aos lábios e dão vontade de cantar dentro do capacete. Comecemos pela Yamaha. A SR 400 não foi feita para correrias. Embora chegue perto dos 130 km/h (a abanar um pouco, dependendo do piso e do vento), sentem-se vibrações sensivelmente a partir dos 100 km/h. Em autoestrada, falta também aquele empurrão mais vigoroso necessário em ultrapassagens, pelo que, na verdade, é por volta dos 90 km/h que a SR está em casa, passeando em ritmos tranquilos, ou então em cidade, ambiente onde se desembaraça na perfeição. Agilidade, leveza, pouca altura do assento ao solo e facilidade de condução, tornam a SR numa moto para todos. Tudo isto complementado com suspensões e assento confortáveis, e travões que, sem serem um ponto a destacar, cumprem a sua função (comparados com os da Mash, parecem saídos do MotoGP).



á a Mash canta uma outra canção, literalmente, uma vez que o som emitido pelas duas saídas de escape é bem mais cheio que o ronronar suave da SR. E, uma vez em andamento, a promessa sonora é plenamente cumprida! O motor de quatro válvulas da Mash é bem mais vivo e agradável de levar que o da Yamaha, apresentando melhores prestações ao longo de toda a faixa de potência, tal como as medições apresentadas em anexo comprovam. A conjugação do som e da resposta mais eficaz torna a Mash, inequivocamente, na moto mais divertida de conduzir. Depois, bem… existem alguns contras. Especialmente na cidade, em situações de fechar/abrir gás ou a arrancar de um semáforo, por exemplo, muitas vezes o motor cala-se, o que nos deixa por vezes em situações delicadas. Pequenas afinações de fábrica serão necessárias neste capítulo. Agradeciam-se também uns travões melhores (bem melhores), e um curso de suspensão traseira que, em cidade, fosse mais carinhoso com a nossa coluna. O certo é que, mesmo com tudo isto, durante a estadia destas duas motos na redação tanto eu como os meus colegas preferíamos sempre levar a Mash.

Conclusão: a Yamaha é a melhor moto. A qualidade está lá, a marca e o modelo são certezas e não se trata de um tiro no escuro. Com a Mash, falamos de uma marca nova, sem provas dadas, e de um modelo com muitas arestas por limar. Mas, como nisto das motos, o coração ganha muitas vezes à razão (e a diferença de preço ajuda), acabei por preferir a Mash, com chinesices e tudo. Pelo menos para um “one night stand”. Para casar, talvez fosse para a SR. Teria menos chatices, mas não seria tão feliz.



As curvas de potência e binário apuradas em banco de ensaio não mentem, sendo notória a vantagem do motor de quatro válvulas da Mash face ao monocilíndrico de duas válvulas da Yamaha. É certo que o motor da SR 400 acorda mais cedo, por volta das 2.000 rpm, mas a curva da Yamaha vai ficando plana enquanto o motor da Mash evidencia um crescendo muito mais animado, das 3.000 às 7.000 rpm, e continua a rolar até bem para lá das 8.000 rpm, enquanto que a Yamaha já esgotou o fôlego às 7.000 rpm. Mas o que os dados aqui expostos, medidos à cambota, não mostram, é que, a 90 km/hora, a Mash Five Hundred está a debitar mais 10 cavalos à roda do que a Yamaha SR 400.




Fonte: Motociclismo


Cabecinhas

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